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quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Avoa, Imaginação




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Arievaldo Viana Lima
É um dos grandes cordelistas cearenses, atualizado em todas as frentes, desde as tradicionais às mais modernas, ele e seu irmão Antônio Klevisson Viana Lima, trabalham com grande competência as diversas formas da Literatura de Cordel, e incorporam novas técnicas gráficas.
Em conjunto com seu irmão, têm sua própria usina de criação - Tupi Nanquim - onde publicam seus trabalhos artísticos em cordeis, republicam outros, além de trabalharem com desenhos animados, histórias de quadrinhos e outros formatos, que aproxima a xilogravura que é tradicional nos folhetos de cordéis com desenhos de bico de pena e gravuras.
Arievaldo também é professor e tem importante projeto que vem desenvolvendo a bastante tempo, ACORDA CORDEL realizado em salas de aulas de diversas escolas.
Ao criar o "Projeto Acorda Cordel na Sala de Aula", sua visão é que a utilização de folhetos e romances de cordel, sejam ferramentas paradidáticas no aprendizado, sobretudo na alfabetização de jovens e adultos.
Zeca Zines sabe da importância de seu trabalho e parabeniza Arievaldo Viana.
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Traduzido em cenas e canções, “O Romance do Pavão Mysterioso” ganha agora versão infantil.
Malino que nem menino, o poeta popular Arievaldo Viana inventara de atirar pedra em enxame. Meteu-se em briga de cachorro grande o cearense de Quixeramobim. É que, embora publicado há mais de 80 anos, o folheto “O Romance do Pavão Mysterioso” rende debates acalorados ainda hoje. De autoria do paraibano José Camelo de Melo Resende, o cordel acabou sendo impresso pela primeira vez levando a assinatura de um outro autor: o também paraibano João Melchíades Ferreira da Silva.
“O Camelo inventou a história do Pavão para ser cantada. Criou uma melodia até, mas não chegou a imprimir. Aí, o João Melchíades teve acesso ao original e fez uma versão. O José Camelo, então, tinha umas complicações com a polícia e não pôde reclamar seus direitos, mas depois publicou seus originais e meteu o pau no João Melchíades. Resultado: essa confusão continua rendendo”, comenta Arievaldo Viana. Não bastasse o engodo já tradicional, o cearense pôs na veneta de incrementar a polêmica ainda mais ao apresentar à meninada o causo de amor do jovem Evangelista e a condessa Creusa.
“O primeiro ‘O Romance do Pavão Mysterioso’ que conheci na vida foi o do João Melchíades. Devo esse crédito a ele. Sei que o original é do José Camelo, mas, na verdade, não sigo nem um nem outro”, destaca o autor. De parelha com o ilustrador pernambucano Jô Oliveira, Arievaldo Viana apresenta a seus leitores miúdos uma narrativa nova.
“A história continua atrativa. O José Camelo foi um visionário. O cordel tem um pé na ficção científica que o deixa atual. O Pavão é uma maleta que se aciona com um botão e vira um helicóptero. Então, as crianças embarcam na fantasia facilmente. O que mudei foi só a linguagem. Reduzi a quantidade de texto e inclui novos personagens”, pontua. Com isso, a trama inaugural ganhara mais agilidade e um formato mais didático. As letras de Arievaldo Viana têm a sala de aula como foco.
“Minha alfabetização foi feita com a coleção de cordéis da minha avó. Acredito na força formativa da literatura de cordel. Não há criança que resista à fantasia”, argumenta o poeta popular. Amigos pra mais de 10 anos, Arievaldo Viana e Jô Oliveira desenvolveram “O Romance do Pavão Misterioso” a quatro mãos.
Também afeito aos pincéis e tintas, o cearense fora apresentado ao pernambucano pela trama de José Camelo de Melo Resende. “Logo de cara, ele me falou do projeto de fazer uma versão em quadrinhos do folheto. A idéia acabou se transformando numa série de selos para os Correios que foi até premiada no exterior”, lembra Arievaldo Viana. “Passamos anos sem nos encontrar. Em 2003, topei ao acaso com o Jô e ele me falou que tinha publicado uma adaptação em prosa do romance, mas que não tinha gostado do resultado. Então, me propôs que eu passasse aquele texto de volta ao formato do verso, à poesia”, explica o processo.
O desafio estava lançado. O que nasceu no universo da oralidade e encontrou abrigo nas páginas fez-se imagens para retornar uma vez mais ao plano da literatura. “Baseei a minha releitura mais pelos desenhos do Jô do que pelos versos que conheço desde menino. As ilustrações já carregavam nelas uma certa adaptação. O Jô, por exemplo, muda o nome do inventor do Pavão. Eu aceitei essa mudança, rompendo com o original do José Camelo. Também o Jô ressalta mais uma dimensão nordestina da trama”, pontua Arievaldo Viana.
De 1923, quando chegou ao papel pela primeira vez, ao século XXI, “O Romance do Pavão Mysterioso” continua sendo um belo incentivo ao engenho. “É uma história que prova que a invenção é capaz de tudo. Não há força, não há arma, não há poder que seja capaz de vencer uma boa idéia”, resume o poeta cearense, agora mais encantado que nunca com a narrativa.
Arievaldo Viana acredita que aí esteja o motivo maior de explorar o folheto com estudantes das séries iniciais. “É um período no qual a formação pede esse tipo de estímulo. A questão é apenas de favorecer o acesso. Até hoje, nunca encontrei um menino que não se interessasse por literatura de cordel”, observa. Avoa, imaginação. Avoa.
Magela Lima
Repórter
POESIA
"O Pavão Misterioso"
Arevaldo Viana e Jô Abreu
30 páginas
2007
Editora Imeph

quarta-feira, 26 de março de 2008

Cordel - Entre Literaturas


O cordelista cearense Klévisson Viana volta a passear pela literatura clássica, em adaptação de ´Os Miseráveis´, do francês Victor Hugo.
Poucos gêneros literários se viram cercados de tantas imagens falsas como a arte do cordel. Uma das principais expressões da literatura popular (na falta de uma definição mais precisa), o cordel passa longe de se restringir ao estereótipo do folheto de impressão rústica, com um xilogravura na capa e um conteúdo em metrificações falando dos costumes das camadas pobres do Nordeste.


“Os Miseráveis”, adaptação do cearense Klévisson Viana para o clássico homônimo de Victor Hugo, é um exemplo daquilo que o cordel é atualmente. O livro abre a coleção Clássicos em Cordel, da editora paulista Nova Alexandria, ao lado de outra adaptação do autor francês - “O corcunda de Notre-Dame”, história pinçada do livro “Paris de Notre-Dame” e transposta para o sertão nordestino pelo poeta alagoano João Gomes de Sá.

Dirigida pelo também cordelista Marco Haurélio, a coleção se propõe a transformar em prática sistemática a adaptação de grandes obras da literatura mundial para a linguagem do cordel, observada aqui e acolá ao longo da trajetória do cordel.

A obra traz diversos elementos e características que rompem a imagem engessada que se costuma ter do cordel. Primeiro não se trata de um folheto. A editora optou pelo formato livro. As ilustrações não foram feitas a partir de xilogravuras, mas de desenhos da dupla Murilo e Cintia que imitam o talhe da gravura.
No entanto, é principalmente na maneira de narrar que esta versão surpreende. Ao invés de trabalhar como uma narrativa linear e direta, Klévisson preferiu adicionar elementos de suspense à trama.

Fidelidade

Vendo o grosso volume de “Os Miseráveis” (um romance que ultrapassa as mil páginas em qualquer edição), é possível imaginar o trabalho de traduzir a obra para 36 páginas, em verso.

“Nesse tipo de trabalho, não consigo fazer muitas mudanças. Acho que é respeito pela obra do outro”, explica Klévisson. O cordelista afirma que centrou sua versão em ações mais expressivas dos cinco personagens que formam o núcleo central do romance. “Praticamente todos os secundários ficaram de fora.
Se fosse adaptar tudo, todas as tramas que aparece, não ia ter estrofe no mundo que desse vencimento. Você não pode cansar o leitor”, conta o poeta popular.“‘Os Miseráveis’ era o único livro que não estava na lista das obras que editora pretendia editar.

Entrou por sugestão minha, que já queria adaptar o romance e que não queria entregar a eles a reedição do ‘Dom Quixote’”, releva Klévisson, fazendo referência à sua primeira adaptação literária. Klévisson pretende lançar, ainda este ano, uma nova edição de seu “Dom Quixote”, acompanhado de um CD com declamações.

Releituras apaixonadas“As aventuras de Dom Quixote em versos de cordel” foi lançado em 2005. Impresso em dimensões que pouco lembram o folheto do cordel (21 x 29,7 cm), o livro lembrava um álbum em quadrinhos. Formato este com o qual Klévisson trabalhou duas vezes, no premiado “Lampião” e “A moça que namorou com o bode” - este último, adaptação do cordel de seu irmão, Arievaldo Lima.

Com “Os Miseráveis” e a futura reedição do “Quixote” pronta para ser publicada, Klévisson continua a trabalhar no campo das adaptações literárias. Mais uma vez é o cordel que fornece o texto base.
“Já está finalizada, para ser lançado este ano, uma adaptação em quadrinhos de ‘A batalha de Oliveiros com Ferrabraz’, do famoso Leandro Gomes de Barros. É um trabalho a quatro mãos, feito em parceria com o ilustrador Eduardo Azevedo”, revela Klévisson. O livro marca os 90 anos de morte do autor do cordel e deve ser lançado na Bienal do Livro, que acontece em novembro.

O desafio da adaptação

Herdeira da oralidade, a literatura de cordel é uma arte, por natureza, intertextual. Seus temas têm origem em fontes diversas, como os causos que “o povo conta”, lendas, piadas, notícias da imprensa e outras obras literárias.
São bem conhecidas as experiências de adaptação de romances da tradição “erudita” para os versos populares.
João Martins de Athayde (1880 - 1959), poeta-editor paraibano, verteu “A Dama das Camélias”, de Alexandre Dumas, e “Romeu e Julieta”, de Shakespeare; seu conterrâneo Manoel D´Almeida Filho, “Gabriela Cravo & Canela”, de Jorge Amado. Para ficar em uns poucos exemplos. A idéia da coleção “Clássicos em Cordel”, portanto, não é nova.

Mas tem que enfrentar desafios dos novos tempos.“Nem todo poeta de cordel é romancista”, explica o poeta baiano Marco Haurélio, coordenador da coleção. Segundo ele, a grande maioria dos poetas populares atualmente se dedica ao chamado “cordel de ocasião” - tratando de temas que estão na pauta da discussão pública, como a ecologia e a política.“Nem todos escrevem neste formato. Mas conseguimos um bom número de poetas e já temos 17 obras prontas para serem lançadas”, comemora. Ao todo, a coleção deve ter cerca de 30 obras clássicas. Entre adaptações, trabalhos de cearenses como Rouxinol do Rinaré.
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Matéria publicada no Jornal Diário do Nordeste - 26 Março 2008

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Sêca D'água - Patativa do Assaré - Interpretação coletiva





Este projeto nasceu quando o nordeste do Brasil estava vivenciando uma "Sêca" inversa, em vez da falta de água era uma enchente que inundava toda região.
Muitos artistas se reuniram para falar e cantar, pegaram o mote da Letra de Patativa do Assaré - Sêca D'água" e desenvolveram em duas músicas coletivas, cantadas por muitos artistas brasileiros.
Entre os quais: Chico Buarque, Gilberto Gil, Ednardo, Fagner, Belchior, Elba Ramalho, Amelinha, Luiz Gonzaga, MPB 4, Roberto Ribeiro, Alcione, João Nogueira, Paulinho da Viola, Olivia Bynton, Ivan Lins, Elza Soares, Luiz Carlos da Vila, Terezinha de Jesus, Tania Alves, Carlinhos Vergueiro, Beth Carvalho, Rosemary, Mauro Duarte, Bebeto, Telma, Sílvio César, Marlene, Erasmo Carlos, Miucha, Cristina Hollanda, Gonzaguinha e muitos outros.
Na faixa Chega de Mágoa - presentes Tim Maia, Maria Betânia, Roberto Carlos, Gal Costa, Tom Jobim, Wagner Tiso, e muitos outros ilustres.

Gravação realizada no Multistudio (Rio de Janeiro) entre os dias 8 a 16 de maio de 1985.

Com produção do Sindicato dos Músicos, (músicos, artistas, produtores e outros, participaram de graça), a reunião de todos chama atenção dos políticos da época, que tanto naquele tempo quanto atualmente parecem distantes do que continua a acontecer na região Nordeste.

Disco lançado em 1985, com duas faixas "Seca 'Água" e "Chega de Mágoa", segundo consta, teve decidida participação de todos, e Chico Buarque um dos maiores entusiastas com companheiros a ter esta atitude.
Não existem informações exatas sobre que resultou o projeto, sabemos que os dois clips destas músicas passaram no programa da TV Globo 1985, onde Chico e Caetano tinham programa exclusivo.
No projeto, o resultado das vendas do disco como objeto secundário a ser repassado em termos da importância do projeto, e transferidos aos Estados e remanejadas aos atingidos p/ cataclisma natural que a séculos aflinge o povo nordestino, não se sabe resultado, mas a verdadeira importância foi atingida. Chamar atenção para a secular falta de atenção

O mais palpável é a reunião da força positiva de artistas brasileiros. Possivelmente será dificil ver de novo todos desta oportunidade única, juntos em constelação interestelar no mesmo momento, empenhados em juntar forças na música brasileira para objetivo comum.

São vídeos raros de uma reunião, guardem pra sempre esta energia.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Patativa do Assaré

Patativa do Assaré em entrevista realizada por Jackson Oliveira Bantim (Bola), enviada ao Zeca Zines através de Ednardo, trecho do documentário realizado por Bola enviado em 15/08/2003.

Nesta entrevista Patativa do Assaré, responde entrevista de Bola e recita duas poesias - Caboclo Roceiro e Menino de Rua.

Patativa do Assaré - Antonio Gonçalves da Silva - é um gênio e antena da raça, como fala Ezra Pound, estudado como fenômeno de comunicação popular com suas poesias e repentes, pela Universidade de Sorbonne na França, por Raymond Cantel, na cadeira da Literatura Popular Universal, e por Sylvie Debs em Literatura Comparada pela Universidade de Toulouse – França e outras Universidades de Praga e Moscou, Universidade de Poitiers – França, Alemanha, Japão, Estados Unidos, Inglaterra; e etc.
No Brasil, todas maiores universidades, USP; UFC; UFMG;UnB; UFPE; PUC/SP e muitas e muitas outras dedicam através de seus mestres e alunos, extensos estudos à Patativa do Assaré. Como símbolo emblemático deste bardo nordestino que possui em sua simplicidade o poder de comunicar-se com todas gamas de entendimento.

Sua arte somente ficou mais conhecida em Fortaleza, Nordeste e Brasil e Exterior, a partir de 1979 quando participou da Massafeira Livre, à convite de Ednardo, quando foi gravado seu primeiro disco. Até então Patativa era ilustre desconhecido em sua própria terra o Ceará, e o mundo não sabia de sua existência.
A partir da Massafeira, Patativa passou a ser reconhecido por todos, e seus versos amplificados em livros, estudos e teses e também musicados e cantados por muitos artistas.
Vale lembrar que antes, Luiz Gonzaga , musicou um de seus versos – Triste Partida - E depois da Massafeira, outros artistas foram musicando e cantando sua obra, e obteve atenção dos estudiosos sobre sua obra.

Zeca Zines

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Patativa do Assaré - nasceu aos 5 de março de 1909, em Assaré (CE) e aí morreu aos 8 de julho de 2002. Iniciou o seu contato com a poesia a partir das cantorias, (destas herdou a diversidade temática, o jogo mote & glosa, as pelejas, o gosto pela redondilha, na métrica; e por sextilhas, quadras ou décimas, na estrofe); depois, realizou folhetos; por fim, o cordel e os poemas avulsos.

O discurso poético de Patativa insere-se na tradição oral, ainda que não se apresente como um repentista, mas, sim, como um poeta, cujos versos nos chegam a partir da palavra impressa. Essencialmente telúrico, sua poesia brota da terra agreste, e esta lhe fornece elementos recorrentes, extraídos tanto do homem quanto da paisagem.
A pouca escolaridade, (ele freqüentou apenas seis meses de escola, onde aprendeu a ler e a escrever) não lhe impediu de ser um leitor voraz, uma vez que, a rigor, tornou-se um autodidata.
Para a construção de seu arcabouço poético, leu não apenas o ´Tratado de Versificação´, de Olavo Bilac, bem como a poesia romântica brasileira, em especial Castro Alves (fundamental para a sua consciência da poesia como discurso engajado) e Gonçalves Dias (este, um poeta que palmilha o épico e o telúrico).
Ainda que haja desenvolvido diversos metros e muitas modalidades poéticas, nesse livro ´Cordéis e Outros Poemas´, serve-se, em relação à disposição das estrofes, das sextilhas (agrupamento de seis versos) e das décimas (agrupamentos de dez versos), havendo, também, o emprego das oitavas (agrupamentos de oito versos); e a métrica é, predominantemente, a redondilha maior ou heptassílabos (versos com sete sílabas poéticas) e, em menor escala, a redondilha menor ou pentassílabos (versos de cinco sílabas poéticas).

Sua poesia é oral, tendo, assim, raízes nas experiências primitivas, desembocando nas cantorias, desafios e provocações de motes.
A denominação ´Literatura de cordel´ tem sua origem em Portugal; mas, no Brasil, tem a ver com a composição de folhetos impressos - experiência genuinamente nordestina. O cordel é uma narrativa poética , cuja temática se apresenta por demais diversificada, enveredando pela épica, pela lírica, pelo dramático, pelo burlesco, pelo grotesco, pela caricatura, podendo tanto concentrar-se em motivos realistas quanto nos gêneros maravilhoso, fantástico ou estranho.

O ABC, por sua vez, é uma narrativa, (´ABC do Nordeste Flagelado´ - este em décima e em redondilha maior) em que de A a Z, cada estrofe tem início com a seqüência das letras do alfabeto.
Mote é uma estrofe anteposta ao início de um poema, utilizado pelos poetas como motivo da obra cujo conteúdo desenvolve a idéia sugerida pela estrofe; pode ser um adágio, uma sentença, sendo o ponto de partida para o desenvolvimento de uma temática; em síntese, é um conceito, expresso, em geral, num dístico para ser glosado.
Glosa é uma décima (estrofe de dez versos) às quais servem de mote os quatro versos de uma quadra ou de um dístico; -estes dísticos devem estar contidos na décima.
Assim, a glosa é uma composição poética que desenvolve um mote; classicamente, é uma décima única onde se inclui o mote de um ou de dois versos poéticos.
Sua poesia implica o encontro entre o homem e a terra, estando estes de tal modo intrincados que, em verdade, não é possível compreendê-los separadamente. Sua voz canta a natureza rústica, agreste, mas, ao mesmo tempo, bela, encantadora, entranhada na vivência e na memória do poeta. A linguagem, pois, emana dessa terra; desse modo, anuncia-se com a espontaneidade da fala matuta, com o forte acento na vogal no final dos versos.


Trecho de matéria Diário do Nordeste - Fortaleza - Ceará - 30/09/2007
Carlos Augusto Viana