segunda-feira, 23 de julho de 2007

Ednardo cantando Artigo 26 - Fortaleza

Ednardo cantando Artigo 26 na Praça do Ferreira em abril de 2007, no sensacional show de aniversário da cidade, este vídeo registra o momento em que choveu torrencialmente durante o show e o público estimado em mais de 25 mil pessoas permaneceu no local cantando com grande entusiasmo. Dar pra notar no vídeo que embora o palco fosse coberto, o vento fazia com que a chuva invadisse o palco, molhando todos. Ednardo e sua banda demonstraram grande profissionalismo não interrompendo o show, mesmo com todos aparelhos eletrificados e ligados. É um momento sensacional deste trecho do show enviado pela Aura Edições Musicais que estamos compartilhando com todos.

Artigo 26
Ednardo

Olha o padeiro entregando o pão
De casa em casa entregando o pão
Menos naquela, aquela, aquela não
Pois quem se arrisca a cair no alçapão

Anavantu, anavantu, anarriê
Nê pa dê quá, nê pa dê qua padê burrê
Egalitê fraternitê e libertê
Merci bocu, merci bocu, não há de que

Rua Formosa moça bela a passear
Palmeira verde e uma lua a pratear
E um olho vivo, vivo a procurar
Mais uma idéia pro padeiro amassar

Anavantu...

Você já leu o artigo 26
Ou sabe a história da galinha pedrês
E me traduza aquele roque para o português
A ignorância é indigesta pro freguês

Anavantu, anavantu, anarriê
Nê pa dê quá, nê pa dê qua padê burrê
Igualdade Fraternidade e Liberdade
Merci bocu, merci bocu, não há de que

Você queria mesmo é ser um sanhaçú
Fazendo fiu e voando pelo azul
Mas nesse jogo lhe encaixaram
E é uma loucura
Lá vem o padeiro pão na boca
É o que te cura

Anavantu...

sábado, 21 de julho de 2007

Que importância tem os Mutantes?

O Professor e Tributarista, Antonio Inácio dos Santos Júnior - Rio de Janeiro / RJ, enviou post que Zeca Zines transcreve na íntegra:

Certa vez Sean Lennon, filho do John Lennon, disse ao guitarrista Sérgio Dias que Os Mutantes haviam influenciado na carreira dele e perguntou quais eram as influências que eles tinham sofrido. A tal questionamento Sérgio respondeu de forma bastante simplista que foi ouvindo o pai dele que eles, Os Mutantes, traçaram sua carreira.

Os Mutantes são isto ai: pura e simplesmente não disseram que vieram a nada, ao contrário de muitos de sua geração que achavam que deveriam passar uma “mensagem”. Os Mutantes vieram para esculhambar, fazer rir e divertir ao som do rock tupiniquim mais psicodélico que se poderia criar neste lado de baixo do Equador. As letras de suas músicas possuem a estrutura poética de um adolescente de 12 anos, não mais. Raras são as canções que possuem algum lirismo como “Ando Meio desligado” e “Balada do Louco”, ou você acha que “Meu Refrigerador não Funciona”, “Vida de Cachorro” e “Todo Mundo Pastou”, só para ficar em três exemplos, possuem alguma poesia? Mas isto decididamente não importa, pois o rock’n roll, já em seu nascedouro, é para divertir e não para refletir, não obstante a sua importância do ponto de vista comportamental e como fator de integração racial em especial nos Estados Unidos das décadas de 50 e 60. Somente a partir do disco Revolver e, mais consistentemente, do Sargent Pepper’s Lonely Hearts Club Band dos Beatles é que o rock começou a ter um conteúdo de maior reflexão, ficando sério demais na primeira metade da década de 70.

Voltando aos Mutantes, somente os iniciados em Rock Progressivo é que dão bola para os discos “A e o Z”, “Tudo Foi Feito Pelo Sol” e “Tudo Foi Feito Pelo Sol Ao Vivo”, que são bons, mas, fogem da proposta original do grupo e passaram a ficar muito parecido com as demais bandas da época e, ai, caiu no lugar comum; ficou sério. Não foi por acaso que a fase progressiva só durou três discos.

Quando se fala de Mutantes, o que vem à cabeça, invariavelmente, é a fase psicodélica que até hoje (e muito mais hoje em dia) vem deixando muita gente ao redor do mundo impressionado e influenciado. Ai eu me pergunto: impressionado porque? Influenciado com o que? A graça dos mutantes é exatamente não ter a pretensão de impressionar ou influenciar ninguém. Alias as bandas brasileiras de rock dos anos 70 não conseguiram influenciar (quase) ninguém, mesmo aquelas que possuíam um perfil mais arrojado a exemplo do Terço e Barca do Sol, a não ser que alguém considere os Novos Baianos como banda de rock

Música de influência é aquela criada por, entre outros, Chico Buarque, Caetano Veloso, Egberto Gismonti, Hermeto Paschoal, Gilberto Gil, Ednardo, Belchior, Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Cartola, Paulinho da Viola, Sérgio Sampaio, etc. A própria Rita Lee em sua fase com o Tutti Frutti é muito mais importante e influente do que quando era membro de Os Mutantes, tanto do ponto de vista musical quanto poético. Aliás, sempre tem um engraçadinho que gosta de dizer que Os Mutantes eram “Os Beatles” brasileiros, o que é fora de propósito. Mas se isto fosse verdade, a Rita Lee seria o George Harisson, pois a criatividade da cantora só despontou com força total a partir de sua carreira solo.

Tenho ouvido a música da Rita Lee desde a minha infância, mas para Os Mutantes só fui despertado na adolescência quando a banda já havia se desfeito há muitos anos, mas até a entrada na minha vida adulta nunca dei muita bola para a banda, pois, preferia muito mais O Terço. Bixo da Seda, Mótuo Perpétuo, Bacamarte, A Bolha, O Peso, Raul Seixas, etc. E assim se passaram os anos tendo Os Mutantes adormecidos em meu imaginário como mais uma coisa exótica e engraçada do que um marco na música popular brasileira apesar de ter comprado as primeiras edições em CD dos discos “Ando Meio Desligado” e “O Planeta dos Baurets”, assim que estes títulos foram disponibilizados no início da década de 90.

Nunca achei que Os Mutantes tivessem muita importância para a MPB ou mesmo para o Rock’n Roll. Mas algo me aconteceu em uma noite de sexta-feira no Circo Voador. Após esperar por mais de uma hora, entraram no palco Arnaldo, Sérgio, Dinho, Zélia e mais alguns outros ótimos músicos e o que se viu dali em diante foi o um espetáculo maravilhoso de virtuosidade, talento, energia e alegria em um delírio total e coletivo. Puro rock’n Roll de alta qualidade em sua mais profunda essência poderosamente calibrado com o que há de melhor na Música Popular Brasileira, e no meio de todo aquele “desbunde” me perguntei pela milionésima vez: Que importância Os Mutantes Tem?. Deste vez a pergunta veio acompanhado de resposta que foi: para isto ai, para encher a gente de alegria.

Antonio Inácio dos Santos Júnior
Tributarista e Professor Universitário

terça-feira, 17 de julho de 2007

Ednardo cantando Terral em Fortaleza

Ednardo cantando Terral em Fortaleza. AO VIVO! Na Praça do Ferreira junto com um público de mais de 25.000 pessoas. Numa noite inesquecível durante o aniversário da cidade.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Índios do Ceará

O professor e pesquisador da Universidade Federal do Ceará - Comunicação Social, Dr. Gilmar de Carvalho, enviou post que Zeca Zines transcreve na íntegra:

Vale a pena ler um fragmento de documento público (Mandado de Notificação) assinado pelo advogado Dr. Jurandy Porto (OAB-CE, inscrição 1421), parte do processo n° 2007.01.11000-7, movido pela empresa Ypióca Agroindustrial e pelo empresário Everardo Ferreira Telles contra o jornalista Daniel Fonseca, por conta do artigo “Ypióca perde uma para os Pitaguary”, divulgado pelo blog de Marcelo Manzatti e inserto no site overmundo, dia 15 de janeiro deste ano.
O referido jornalista fala da perda de certificação do Selo Orgânico, por parte da empresa, em razão da poluição da Lagoa da Encantada (Aquiraz) e dos conflitos de terras com os Jenipapo-Kanindé.

“Inexiste qualquer registro histórico da presença de índios naquela área (Lagoa da Encantada) do litoral cearense, sendo oportuno assinalar que o nome “Jenipapo-Kanindé” foi criado por interessados no ressurgimento de índios no litoral cearense, em contraposição aos conceitos e regras dos arts. 231, da Constituição Federal, e do Estatuto do Índio (Lei n. 6001/73, arts 3°, I e II, 17 e 23)”
“Não há, em toda costa cearense, qualquer comunidade que tenha ou mantenha usos, costumes e tradições tribais”
“Pessoas interessadas, sem qualquer autoridade científica, vêm encetando movimento resurgicionista de índios no litoral nordestino, de alta valorização turística, convencendo humildes pescadores das vantagens de assumirem postura de silvícolas. ONGs internacionais, ludibriadas por essas encenações, se dispõem a remeter recursos financeiros para ajudar o que pensam ser índios de verdade”.

A opinião do renomado advogado contrasta com a posição do Ministério Público Federal, responsável, juntamente com a Funai e o Iphan, pela publicação, em 2004, do livro “Ceará, Terra da Luz, Terra dos Índios”, lançado em um seminário em que se fizeram presentes as etnias reconhecidas (Tapeba, Tremembé, Pitaguary e Jenipapo-Kanindé) e as que estão em processo de reconhecimento (Calabaça, Potiguaras).
A posição autoritária nos remete ao ano de 1861 em que foi decretada a não existência de índios no Ceará. O que seriam “índios de verdade”? Querem índios de maracatus ou escolas de samba? Índios das gravuras do Brasil dos viajantes? O estereótipo?
A Notificação contra o jornalista Daniel Fonseca faz parte de um processo de intimidação movido pelos grupos econômicos que não se conformam com a organização das comunidades indígenas no Ceará.
Por favor, envie este documento para suas listas, se estiverem de acordo com a importância de chamarmos a atenção para mais essa prepotência das elites econômicas que acham que tudo podem, inclusive, negar nossa ancestralidade.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Ednardo cantando Terral em Jericoacoara - Ceará

Terral - Ednardo

Eu venho das dunas brancas
Da onde eu queria ficar
Deitando os olhos cansados
Por onde a vida alcançar
Meu céu é pleno de paz
Sem chaminés ou fumaça
No peito enganos mil
Na terra é pleno abril
Eu tenho a mão que aperreia
Eu tenho o sol e areia
Sou da América
Sul da América
South America
Eu sou a nata do lixo
Sou do luxo da aldeia
Sou do Ceará
Aldeia aldeiota
Estou batendo na porta
Pra lhe aperrear
A praia do futuro
O farol velho e o novo
Os olhos do mar
São os olhos do mar
O velho que apagado
O novo que espantado
O vento a vida espalhou
Luzindo na madrugada
Abraços corpos suados
Na praia fazendo amor

Ednardo cantando Flora em Aquiraz - Ceará

Este vídeo já estava postado antes, mas esta edição enviada pela Aura ficou bem melhor e está na íntegra.